Coronel Floriano de Lima Brayner
FILIAÇÃO
João das Neves Lima Brayner e Ana Cambuim Brayner
ANTES DA GUERRA
Nasceu em Cidade da Parahyba, atual João Pessoa, no dia 2 de janeiro de 1897.
Ingressou na Escola Militar do Realengo em maio de 1913; foi declarado aspirante a oficial da arma de Infantaria em fevereiro de 1918; foi promovido a segundo-tenente em maio do mesmo ano.
Em fevereiro de 1922, foi classificado no 6º Batalhão de Caçadores (BC), sediado em Ipameri, GO, onde foi promovido a primeiro-tenente, em setembro desse ano. Entre setembro e dezembro de 1925, serviu sob as ordens do coronel Álvaro Mariante, cujo destacamento operava no estado de Goiás na repressão à Coluna Prestes.
Em 1927, foi transferido do 6º BC para o 22º BC, sediado na capital paraibana.
Em fevereiro de 1928, ingressou na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO), no Rio de Janeiro. Foi promovido a capitão em novembro desse ano e concluiu o curso em dezembro.
Permaneceu como instrutor da ESAO até março de 1931. Posteriormente, foi matriculado na Escola de Estado-Maior. Concluiu o curso em janeiro de 1934, sendo promovido a major em outubro do mesmo ano.
Entre maio de 1935 e dezembro de 1936, exerceu a função de oficial de gabinete do ministro da Guerra, General João Gomes Ribeiro Filho.
Sua unidade seguinte foi o 32º BC, sediado em Blumenau, SC.
Entre janeiro e maio de 1937 estagiou no Exército Francês.
De dezembro de 1937 a dezembro de 1939, foi instrutor-chefe do curso de Infantaria da ESAO.
Em janeiro de 1940, retornou ao 32º BC, tendo sido promovido a tenente-coronel em maio.
Em janeiro de 1941, foi designado para exercer funções de instrução e direção na Escola Militar do Realengo, onde permaneceu até junho de 1943.
Em abril de 1943, foi promovido a coronel e, em julho, quando estava sendo negociada a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, foi designado para estagiar nos Estados Unidos. Nesse contexto, a partir, de julho, ao longo de dez semanas, realizou curso na Escola de Comando e Estado-Maior, em Fort Leavenworth (Kansas), e estagiou no Estado-Maior da 100ª Divisão, em Fort Jackson (Carolina do Sul).
Em 14 Out 1943, apresentou-se ao Gen. Mascarenhas de Moraes, que o designou chefe do Estado-Maior da 1ª Divisão de Infantaria da Força Expedicionária, com a incumbência de organizá-la.
Em 17 Jan 1944, o Diário Oficial da União publicou decreto de 7 de janeiro do corrente ano, por meio do qual foi nomeado Chefe do Estado-Maior (EM) da 1ª DIE.
Em 25 de maio, foi elogiado pelo Gen. Mascarenhas de Moraes, comandante da 1ª DIE, nos seguintes termos: “Com especial destaque, registro os meus agradecimentos à prestimosa, serena e leal cooperação que recebo do Coronel FLORIANO DE LIMA BRAYNER, em feliz hora escolhido chefe do Estado-Maior desta DIE. Sua robusta cultura profissional, invulgar capacidade de ação, sensatez e criteriosa conduta civil e militar, tem sido postas a prova em mais de sete meses de incessante atuação, desde a face de organização dos Corpos aos preparativos para embarque a que chegamos. Dentro do nosso QG criou, graças às suas inegáveis qualidades intelectuais e morais, um salutar ambiente de disciplina e trabalho, onde imperam o respeito e a ordem. Neste novo setor de sua brilhante vida militar, face às contingencias impostas pela situação a que vamos enfrentar, tão cheia de incerteza e apreensões, vem ratificando o elevado conceito em que é tido no seio da classe. Soube, assim, conquistar um sólido prestígio que lhe garante ascendência indispensável para o feliz desempenho de seu cargo nos momentos difíceis que nos esperam. Ao Coronel Brayner, os meus mais francos e calorosos louvores.”.
No dia 2 de julho, partiu para o teatro de operações europeu a bordo do navio General Mann, na condição de chefe do Estado-Maior Divisionário, órgão intermediário entre o comando e os organismos de execução.
DURANTE A GUERRA
Em 16 Jul 1944, às 13h 30min, desembarcou no Porto de Nápoles, Itália, indo acantonar no “Albergo Parco”, nessa cidade.
Em 27 de julho deslocou-se para Tarquinia, a fim de reconhecer o novo local de estacionamento do Escalão Avançado, tendo regressado a 29, do mesmo mês.
Em 5 de agosto, deslocou-se de Nápoles para Roma e, de lá, para a “Training Area” de Tarquinia, onde estacionou, tendo sido incorporado ao V Exército dos Estados Unidos, a partir desse dia.
Encerrada a campanha militar do V Exército e da FEB em 2 de maio, as tropas brasileiras estacionaram em Francolise,
Em 20 de maio, deslocou-se de Alessandria para Nápoles. Em 28, comandando o destacamento precursor, por via aérea, partiu de Nápoles com destino a Dakar. Em 31 de maio, deixou o Senegal com destino ao Brasil. Em 2 Jun 1945, partiu de Natal, RN, com destino ao Rio de Janeiro, onde chegou no mesmo dia.
Elogios individuais consignados General João Baptista Mascarenhas de Moraes.
Em 4 Out 1945
“Com prazer que elogio o Cel. FLORIANO DE LIMA BRAYNER, Chefe do Estado-Maior da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária. Desde o embarque da tropa brasileira, no Rio de Janeiro, seu desembarque em Nápoles e deslocamentos posteriores, o Cel. BRAYNER tem se revelado prestimoso e dedicado auxiliar do meu Comando. Dotado de grande capacidade de trabalho, lúcido espírito de previsão, inteligência e notável ardor profissional que o caracterizam como perfeito Chefe de Estado-Maior, soube prever e preparar estas delicadas operações de modo tal, que todo o trabalho foi realizado em excelentes condições. Aliando a estas ótimas qualidades profissionais, cultura apreciável, devotamento e lealdade absoluta ao Chefe, bem como nítida compreensão de suas responsabilidades, sabe conquistar, pelo seu trabalho, esforço e dedicação, a amizade dos chefes e a admiração dos subordinados. Além de todos os predicados acima citados, o Cel. BRAYNER é dotado de destacada personalidade de Chefe, esmerada educação civil e militar, reveladas através do seu trato amável e fidalgo. É possuidor, também, de elevado espírito de camaradagem, que o faz estimado por todos os seus comandados. A tão distinto camarada, meus sinceros agradecimentos.”
– Em 13 Jan 1945
“Como Chefe do Estado-Maior (EM), o Cel. FLORIANO DE LIMA BRAYNER, confirma, nesta fase das operações na Região do Rio Reno, o elevado conceito em que o tenho e que já me habituei a admirar, pois, desde a organização da 1ª DIE, que vem pondo a prova as suas qualidades invejáveis de Oficial de escol, olhado sempre com respeito por superiores e subordinados. Reconheço a sua extraordinária habilidade em remover todos os percalços que surgem nas atividades de EM, coordenando os trabalhos com critério e senso, o que assegura ambiente de confiança em que vivemos, tão necessário ao cumprimento integral da honrosa missão atribuída à tropa brasileira neste Teatro de Operações. Dispondo de vasta e sólida cultura profissional e de fulgurante inteligência, mantém, com segurança, o seu prestígio de Chefe, diante da elite constituída pelos auxiliares que o cercam e sabe garantir a autoridade do Comando, graças à exata noção de disciplina que possui e moral com que é forjado seu caráter. Sereno, nas situações graves, tem dado sobejas provas de equilíbrio intelectual, assistindo o Chefe em todos os momentos difíceis, sobressaindo-se nos instantes difíceis do meu Comando, em que estão em evidência o bom nome, a eficiência e o sucesso das nossas ações nesta guerra. Concretizando nesta referência a brilhante atuação do Coronel BRAYNER, faço justiça inteira aos seus méritos e destaco os relevantes serviços que presta ao Exército e à FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA”.
– Em 8 Mar 1945
Em virtude de um elogio feito pelo Major Gen. Willis D. Crittenberger, comandante do IV Corpo de Exército: “Ao Coronel FLORIANO DE LIMA BRAYNER, Chefe do Estado Maior, dirijo as minhas felicitações pela eficiente coordenação que soube manter entre as Seções desde o período de estudo dos planos ao seu estabelecimento definitivo e, posteriormente, a execução perfeita, culminando com a posse do MONTE CASTELO. Assistindo ao Comando durante as operações, esteve sempre atento a todo o desenrolar do combate, acompanhando a manobra, esclarecendo seus detalhes, fazendo sugestões judiciosas, articulando os meios, explicando as dificuldades encontradas, com atitude de confiança na tropa e com animo elevado e sereno, numa demonstração eloquente dos seus recursos pessoais e que lhe prestigiam cada vez mais”.
– Em 27 Mar 1945
Em virtude de um elogio feito pelo Major Gen. Willis D. Crittenberger, comandante do IV Corpo de Exercito: “Ao Cel. FLORIANO DE LIMA BRAYNER, Chefe do Estado-Maior da 1ª DIE, cabe uma grande parte dos sucessos, obtidos nas jornadas magnificas de 3 a 7 de março, pela maneira inteligente, criteriosa e fiel por que coordenou as atividades das Seções e traduziu a ideia do Comando, permitindo, assim, uma previsão completa e uma execução modelar, coroadas com a posse, ocupação e limpeza de Castelnuovo (Itália). De Morro dell Oro, observatório da Divisão nas operações do Vale do Marano e de La Palazzina, P.O. da Divisão para o ataque a Castelnuovo, acompanhou com notável precisão, confiança ilimitada e verdadeiro interesse, o desenrolar dos acontecimentos, atento a todas solicitações, numa demonstração clara e evidente da exata noção que possui das responsabilidades e deveres de seu pesado cargo. Apresento, pois, com satisfação e cumprindo um dever de Justiça, as minhas felicitações e louvores ao Coronel BRAYNER, pela conduta serena e eficiente que manteve nessa página gloriosa da história de nossa Divisão”.
– Em 19 maio 1945
“A constante assistência ao meu Comando, que sempre soube cercar do máximo respeito e consideração, o modo inteligente e interessado com que coordenou a ação das Seções do Estado-maior e órgãos de Serviço, a maneira confiante pela qual encarava as missões mais difíceis atribuídas à 1ª DIE, a dedicação zelosa como manteve o alto prestigio da FEB diante das autoridades estrangeiras, a serenidade o equilíbrio que conserva nas situações mais graves, o senso ao opinar e a resistência à fadiga formam um conjunto de atributos que emolduram a personalidade e a atuação do Cel. FLORIANO DE LIMA BRAYNER, Chefe do EM, durante esses oito meses de campanha na Itália. Acompanhou, interessadamente e com ânimo forte, a estreia e a arrancada do 6º Regiment Combat Team através do Vale de Sercchio, quando tudo era incerteza, e colaborou, ponderando com discernimento e lembrando medidas acertadas, na instalação dos nossos órgãos de Base e na preparação do núcleo inicial do Depósito de Pessoal, criado, quando só o 1º Escalão estava neste Teatro de Operações. Reunida a Divisão em outubro de 1944, assumiu inteiramente sua própria função, mostrando-se sempre o mesmo colaborador atento, honesto, leal e devotado Chefe, impondo-se pela brilhante inteligência, robusta cultura profissional e confiança ilimitada nas nossas possibilidades. A nossa situação defensiva no inverno, com seus ataques ao Monte Castelo em 29 de novembro e 12 de dezembro de 1944, a ação vitoriosa de 21 de fevereiro de 1945 sobre o mesmo Monte, seguida da conquista de Castelnuovo e a fulminante ofensiva iniciada em 14 de Abril com a perseguição tenaz ao inimigo desde Montese, através Zocca, Marano, Collecchio e Fornovo di Taro, exigiram do Cel. BRAYNER uma atividade fora de comum e permitiram que desenvolvesse criteriosa assistência e atenta vigilância a minha ação de Comando, cabendo-lhe, assim, uma grande parcela dos êxitos alcançados pela nossa Divisão nas operações em que se empenhou neste Teatro de Guerra da Itália. Com a rendição incondicional da 148ª Divisão Alemã e restos da Divisão Bersaglieri “ITÁLIA” e 90ª Divisão Panzer Granadier desenvolveu uma tarefa de real importância, conferenciando com os parlamentares e dirigindo o serviço de coleta de prisioneiros e recebimento de todo o material dessas Grandes Unidades, num esforço continuo nas jornadas de 28 e 29 de Abril de 1945, confirmando mais uma vez, sua grande capacidade de trabalho, espírito de ordem, iniciativa e inteligência, agindo, com precisão e oportunidade, num fato de grande repercussão histórica para a nossa Pátria.Agora, como Chefe do Destacamento Precursor que vai ao Brasil preparar a recepção da FEB, tem uma elevada missão à altura de seus méritos e a sua presença constitui garantia de sucesso das atribuições que lhe foram confiadas. Transmitindo-lhe os melhores louvores, agradeço a valiosa cooperação prestada ao meu Comando e faço, sinceros votos para que obtenha os maiores êxitos na sua já brilhante carreira militar, continuando, assim, a oferecer ao Exército todo o valor de sua invejável inteligência e sólidos conhecimentos profissionais, ampliados com a experiencia da guerra”.
DEPOIS DA GUERRA
Em 27 Nov 1945, assumiu o posto de adjunto do adido militar junto à embaixada brasileira na Itália.
Em janeiro de 1947, foi promovido a general de brigada. Em setembro desse ano, foi nomeado primeiro-subchefe do Estado-Maior do Exército.
Em janeiro de 1948, integrou a Comissão Militar Brasil-EUA.
Em 1949, representou o Brasil na conferência de Genebra, para proteção às vítimas e aos prisioneiros de guerra.
Em fevereiro de 1952, foi designado para chefiar a Secretaria Geral de Administração do Exército. Em setembro desse ano, foi promovido a general de divisão.
Entre 15 Set 1953 e 26 Abr 1954, comandou a 2ª Divisão de Infantaria, sediada na capital do Estado de São Paulo.
Em 11 Nov 1955, assumiu a chefia do Gabinete Militar da Presidência da República, cargo que exerceu até 31 Jan 1956.
Entre julho de 1956 e março de 1959, prestou assessoria militar à Delegação Permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas. Concomitantemente, no período de 23 Ago 1956 a 16 Jul 1958, comandou a 1ª Região Militar, com sede no Rio de Janeiro.
Em julho de 1958, foi promovido a general de exército.
De 23 de agosto a 23 de novembro de 1958, comandou o III Exército (atual Comando Militar do Sul), com sede em Porto Alegre, RS.
De 28 Nov 1958 a 14 Abr 1961, chefiou o Estado-Maior do Exército.
Entre 20 Jun 1961 e 2 Jan 1967, desempenhou o cargo de Ministro do Superior Tribunal Militar (STM). Ao deixar o STM por ter atingido o limite de idade para o cargo, foi transferido para a reserva remunerada no posto de general de exército, posteriormente retificado para o posto de marechal.
Escreveu os seguintes livros: “A verdade sobre a FEB – Memórias de um chefe de estado-maior na campanha da Itália (1943-1945)”, publicado em 1968; “Luzes sobre Memórias”, publicado em 1973; e “Recordando os Bravos”, publicado em 1977.
Faleceu no Rio de Janeiro no dia 3 de fevereiro de 1983.
MEDALHAS E CONDECORAÇÕES
Medalha Cruz de Combate de 2ª Classe
Medalha de Campanha
Medalha de Guerra
Medalha de Ouro com passador de platina
Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito
Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar
Grande Oficial da Ordem do Mérito Naval
Grande Oficial da Ordem do Mérito Aeronáutico
Medalha “Grande Distinção” da Ordem do Mérito Jurídico Militar
Medalha Marechal Hermes – aplicação e estudo, uma coroa de prata
Medalha do Pacificador
Medalha Rio Branco
Medalha Ruy Barbosa
Medalha Anchieta
Medalha Caetano de Faria
Medalha Cruz de Guerra com Palma (França)
Medalha Estrela de Bronze – Bronze Star (Estados Unidos)
Comendador da Legião de Honra (França)
Comendador da Legião do Mérito (Estados Unidos)
Comendador da Ordem da Coroa Britânica (Reino Unido)
Comendador da Ordem Nacional da República Italiana (Itália)
Grã-Cruz da Ordem Militar de Aviz (Portugal)
Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar da República Argentina
Grã-Cruz da Ordem Nacional de “Cedro” (Líbano)
Grande Oficial da Ordem de “Ayacucho” (Peru)
Grande Oficial da Ordem do Mérito Militar (Venezuela)
Grande Oficial da Ordem Nacional do Mérito (Paraguai)
Membro Honorário do IV Corpo de Exército (Estados Unidos)
FONTES
Histórico do Pessoal Militar (Folhas de Alterações), cedido pelo Arquivo Histórico do Exército.
https://dspace.stm.jus.br/ (acesso em 1º Set 26)
https://www18.fgv.br/cpdoc/acervo/ (acesso em 1º Set 26)
https://pt.wikipedia.org/ (acesso em 1º Set 26)
https://www.familysearch.org/ (acesso em 3 Set 26)
CRÉDITO
Museu Virtual da FEB / Fröhlich, Sirio S.
