Tenente Moysés Chahon

FILIAÇÃO

José Ascher Chahon e Mathilde Gammal

ANTES DE GUERRA
Nasceu em 27 de agosto de 1918 no Rio de Janeiro, DF, filho de pais estrangeiros (o pai era nascido em Rodes, na Grécia; a mãe, em Smirna, na Turquia).
Estudou no Colégio Anglo-Americano, na Praia de Botafogo, e, depois, no Colégio Pedro II, em regime de internato.
Em 28 Abr 1939, ingressou na Escola Militar de Realengo, vindo a ser declarado aspirante a oficial da Arma de Infantaria em 4 Dez 1941.
Em 25 Ago 1942, foi promovido a 2° tenente. Serviu no 8º Regimento de Infantaria (RI), em Cruz Alta, RS, e no 14° Batalhão de Caçadores (Florianópolis, SC).
Em 25 Dez 1943, foi promovido a 1º tenente, e transferido para o 1º RI – o Regimento Sampaio –, situado na Vila Militar do Rio de janeiro.
Em 20 Set 1944, integrando a 6ª Companhia do 1º Batalhão do 1º RI, embarcou no navio de transporte General Mann, que desatracou do Porto do Rio de Janeiro em 22 de setembro, com destino à Itália.

DURANTE A GUERRA
Em 6 Out 1944, às 8h, chegou ao porto de Nápoles. Desembarcou à noite e deslocou-se até Bagnoli, subúrbio de Nápoles.
Em 9 de outubro, iniciou o deslocamento marítimo, de Nápoles até Livorno, de onde seguiu para o acampamento nas cercanias de Pisa, onde chegou no dia 12.
Em 13 de novembro, deslocou-se para o acampamento de Filettole, de onde seguiu, no dia 19, para as proximidades de Porreta Terme. Na noite de 20 para 21 de novembro entrou em posição no subsetor Norte da 1ª DIE, na linha Torre de Nerone-Região 681-Africo-Rocca Pitigliana. Em 23 de novembro, o batalhão rechaçou três ataques alemães. Permaneceu em linha com o batalhão até 5 de dezembro, sob intensos bombardeios de artilharia e morteiros e fogo de armas automáticas, repelindo mais cinco ações ofensivas.
Em 22de dezembro, o batalhão deslocou-se para Porreta Terme, onde acantonou, ainda à disposição do IV Corpo, lá permanecendo até 31, sujeito a bombardeios de artilharia pesada inimiga, que causou muitas baixas.
Em 4 e 5 Jan 1945, o seu batalhão permaneceu em Porreta, como reserva do IV Corpo. No dia 6 às 14h 30min, a cidade em que o batalhão estava acantonado, foi bombardeada pela artilharia inimiga de grosso calibre. Permaneceu em posição até 9 de fevereiro.
Em 11 de fevereiro, 1º Batalhão concluiu o deslocamento de retorno de Riola a Porreta. Em 18, deslocou-se para a região de Grociale-Vivalle. A partir do dia 19, a sua Companhia concluiu a tomada do dispositivo para o ataque ao Monte Castelo, vindo a sofrer forte bombardeio da artilharia alemã. Em 20 de fevereiro, enquanto ocorria o ataque da 10ª Divisão de Montanha ao Monte Belvedere, o batalhão instalou-se no terreno para passar a noite, ajustando seus fogos, organizando o terreno, lançando minas nas estradas e fortes patrulhas, aguardando ordem de partida para o ataque na manhã seguinte.
Em 21 Fev 1945, tomou parte, com o batalhão, na ação contra Monte Castelo, atacando-o posteriormente pelo flanco Leste do 3º Batalhão. Ao cair da tarde, após uma jornada de cruenta luta devido a intensa resistência alemã na posição fortemente defendida, foi conquistado o Monte Castelo, passando, imediatamente, à organização do terreno e ajustagem de fogos, sendo mantida a posição conquistada.
Em 23 de fevereiro, elementos 1º Batalhão conquistaram a região de La Serra – Cota 958, mantendo-a com a sua Companhia, mesmo contra-atacada por três vezes no dia seguinte e, por mais uma vez, no dia 24. No dia 27, o batalhão começou a ser substituído pelo 3º Batalhão do 87º Regimento de Infantaria (EUA), sofrendo forte bombardeio, durante o qual foi ferido; contudo, permaneceu no seu posto de combate. No dia 28, o seu batalhão entrou em linha no maciço Gorgolesco-Torracia, substituindo o 1º Batalhão do 95º Regimento de Infantaria (EUA).
Em 1º de março, com o Batalhão, passou a fazer parte do Grupamento Oeste, sob o Comando do Gen. Zenóbio. O batalhão foi fortemente bombardeado, tendo feridos e ligações cortadas. No dia 2, o batalhão passou dois Grupos de Combate à disposição do quarteirão do major Olivier, sendo empregados na Região de Rocca Corneta, atuando fortemente em atividades de patrulhas e confrontos com alemães, com destruição de casamatas, apreensão de metralhadoras e munições e contabilizados 14 prisioneiros. Até o dia 10, foi executada a construção de redes de arame e campos de minas antitanque e antipessoal e contínua a atividade de patrulhas, sob fogos de morteiro e artilharia.
Em 11 de março, passou a constituir o subsetor Oeste, com o Btl. subordinado diretamente à 1ª DIE, por ter sido dissolvido o Grupamento Oeste, permanecendo na linha de frente até o dia 20, quando o Btl. foi substituído por elementos do 6º R.I., deslocando-se para Vidiciatico, onde acantonou como reserva da Divisão.
Em 8 de abril, entrou em linha na região de Tamborini-Sassomolare, em substituição a elementos americanos.
Em 14 de abril, o batalhão cooperou no ataque feito pelo 11º RI a Montese, ocupando pontos à Nordeste dessa cidade, sofrendo baixas. No dia 15, prosseguiu na cooperação do ataque da véspera, sendo fortemente batido. Em 19, deslocou-se para Montelo, em 20 de abril, foi iniciada a perseguição no inimigo; tendo cumprido totalmente a missão, o batalhão estacionou em Vila D’Aiano. Em 21, o batalhão prosseguiu no movimento, tendo recebido ordem para passar à defensiva, na margem direita do rio Panaro.
Entre 22 e 27 de abril, o batalhão deslocou-se por diversas localidades, como Nissano, Montalbano, Bazzano, Macieira, Cá de Solla, Colombaro, Formigene, Arceto, Rivalta e Bibiano. Ainda em 27, deslocou-se para Salsomaggiore, com a missão de ocupar e organizar-se defensivamente nesta localidade, barrando o acesso no inimigo, das estradas especialmente, e lançar patrulhas de reconhecimentos profundos.
Em 14 de junho, o 1º RI iniciou o deslocamento para a região de Nápoles. Em 17, seguiu de Piacenza, transportado em caminhões até Bologna, donde, por via aérea, seguiu para a área de Francolise, onde chegou no dia 19 de junho e acampou até regressar ao Brasil.
Citação de Combate
Em 23-II-45: “É uma figura singular de combatente, esta que tenho especial satisfação em focalizar para conhecimento da tropa brasileira. Seu Pelotão, orgânico da 6ª Companhia, atacava com o máximo vigor, o ponto cotado 958, considerado a posição chave da operação da subunidade. Apesar dos pesados e incessantes bombardeios a que são submetidos, o Tenente CHAHON e os seus elementos, investem firmemente contra a posição, dela se apoderam, aí se instalam dispostos a mantê-la, quaisquer que fossem os sacrifícios. Dentro em pouco os alemães contra-atacam. Mesmo desabrigados, os nossos resistem e repelem o inimigo. Os contra-ataques não cessam, como também não cessa o esforço da defesa, e os adversários são, todas as vezes, rechaçados. É uma posição ardorosamente disputada. O valor dos defensores é notável, como terrível é a tenacidade do inimigo. E a inflexibilidade de ânimo desses combatentes asseguram, enfim, para a tropa brasileira a posse definitiva do ponto cotado 958. A combatividade, o espírito de sacrifício, a decisão inquebrantável, a elevada compreensão que tem da honra militar, a capacidade de comando, reveladas pelo Tenente CHAHON, são exemplos dignificantes que desejo pôr em relevo para os brasileiros que combatem na Itália”. Assinado: João Baptista Mascarenhas de Moraes, General de Divisão, Comandante da 1ª DIΕ.
Elogios Individuais
– Em 26 Fev 1945, pelo Cel. Aguinaldo Caiado de Castro, comandante do 1º RI: “Tomou parte no ataque vitorioso ao Monte Castelo, conquistando para o Regimento Sampaio e para o Brasil novos troféus de vitórias, merecendo por suas qualidades combativas e as bravuras de seus feitos, admiração e os calorosos elogios deste Comando”.
– Em 22 Mar 1944, pelo Cap. Wolfango Teixeira de Mendonça, comandante da 6ª Companhia: “1° Ten. Moysés Chahon, sobre cujo Pelotão recaiu o esforço principal do inimigo, pela calma e segurança revelada no comando. Conquistou posição chave da zona de ação da Companhia, ponto cotado 958 e aí se manteve por quatro dias, não obstante os sucessivos e violentos contra-ataques inimigos efetuados logo após ter atingido o objetivo e nos dias subsequentes. Na primeira noite suportou e repeliu três contra-ataques, teve seu pelotão envolvido por ambos os flancos e atacado a granada de mão e, não obstante, manteve sem ideia de recuo, a posição conquistada, apesar de desabrigado, ter sido submetido a violento e prolongado fogo de artilharia e morteiros. Nos dias seguintes melhoraram as posições e suportou e repeliu as reações inimigas, durante a conquista de uma organização alemã, no terceiro dia, após o início do ataque da Companhia, seu Pelotão parte em movimento e o restante em posição, repeliu um contra-ataque diurno de cerca de sessenta elementos inimigos. Fez um prisioneiro. Sua posição, em virtude de sua importância, foi ardorosamente disputada e sujeita a bombardeio constante e violento, de morteiros, artilharia, durante quatro dies consecutivos, foi levemente ferido em consequência de bombardeio inimigo e se manteve a testa do Pelotão. Revelou bravura pessoal, sangue frio perante o inimigo, elevada noção de honra militar, exata compreensão de seus deveres em combate, espírito de sacrifício e valor combativo. Seu Pelotão sofreu as maiores perdas da Companhia, e deu os mais belos exemplos de coragem, bravura, iniciativa e espirito de sacrifício do soldado da Infantaria Brasileira”.
– Em 26 Mar 1945, pelo Cap. Wolfango Teixeira de Mendonça: “2º Ten. Moisés Chahon, a cujo Pel. coube com maior número de missões de combate, portou-se sempre com comandante, em diversas oportunidades na presença do inimigo, tanto em posições defensivas como Comando de patrulhas de reconhecimentos, destacando-se, sobretudo, na atuação em “Boscacio” cujas organizações e onde soube manter elevado o moral de sus tropa, com máximo de bem estar, permitido pela sua ação, tornando ativo o setor cujo a guarda lhe estava confiada”.
– Em 2 Abr 1945, pelo comandante do 1º RI: “Tomou parte no subsetor Belvedere, garantindo a segurança do exposto flanco esquerdo da operação do IV Corpo de Exército, fazendo agressiva sondagem para Nordeste, bem dentro do território inimigo, do que resultou o desmantelamento de suas reservas que progrediam e a captura de numerosos prisioneiros com correspondente e valiosa identificação das Unidades em nossa frente, conforme expressões do Exmo. Sr. Gen. Cmt.do IV Corpo. A defesa do subsetor nas condições em que foi feita, depois de exaustivos esforços dispendidos no ataque ao Monte Castelo, Bella Vista e La Serra, representa uma demonstração de rara energia, espírito de sacrifício e destemor no cumprimento de missões de Guerra, que tornam dignos dos maiores elogios, do renome do Regimento Sampaio e da admiração do seu Comandante”. Observação: Moyses Chahon recebeu a medalha Silver Star (Estrela de Prata), por bravura em combate, posto que as suas e as ações do seu pelotão tiveram grande importância na conquista do Monte Belvedere pela 10ª Divisão de Montanha dos EUA.
– Em 30 Abr 1944, pelo major Syseno Sarmento, comandante do 2º Batalhão: “Ten. Moysés Chahon, pela maneira brilhante com que se conduziu na manutenção do quarteirão Africo-Região Sudeste de Rocca Pitigliana, rechaçando cinco ataques alemães e suportando com estoicismo o bombardeio de artilharia e morteiros do inimigo que ocupava posições dominantes em toda frente. Acresce que era o batismo de fogo da tropa e o exemplo desse oficial e compreensão e disciplina dos seus comandados fizeram com que fossem honradas es tradições do nosso Exército”.
– Em 30 Abr 1944, pelo comandante da 6ª Companhia: 1º Ten. Moysés Chahon, por sua atuação na frente de Sassomolare, no período de 8 a 21 de abril de 1945. Em virtude da substituição da tropa norte-americana, operação realizada à noite, ao seu Pelotão coube ocupar as posição mais avançada da 6ª Cia., posteriormente e tendo em vista a sua participação numa operação de conjunto para conquista da linha Montese-Montelo, seu pelotão foi lançado mais à frente, para novas posições, em contato mais estreito com o adversário; dessa base de partida atacou e conquistou Cá de Bertolino, seu primeiro objetivo, operação realizada com êxito e sem perdas; seu segundo objetivo de ataque foi o ponto cotado 758, fortemente minado defendido, onde o seu pelotão, se mostrou obstinado e tenaz no cumprimento da missão recebida, fazendo quatro vezes a mesma Operação em dias diferentes, suas posições foram fortemente bombardeadas por monteiros inimigos. Nos dias em que duraram a Operações, seu pelotão sofreu pesadas baixas e conservou moral elevado. Em todas as emergências, mesmo sob bombardeio, o Ten. Chahon se manteve calmo, corajoso, confiante, perseverando sempre no cumprimento da missão recebida.”

APÓS A GUERRA
Seguiu carreira no Exército Brasileiro, sendo promovido ao posto de capitão, em 25 Dez 1946.
Entre 1947 e 1950 frequentou a o curso de Escola Técnica do Exército (origem do Instituto Militar de Engenharia), onde formou-se em Engenharia Mecânica, especialização Automóvel. Na sequência, serviu no Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro.
Em 25 Jul 1953, foi promovido ao posto de major. Nesse posto, serviu nas seguintes organizações militares: Diretoria de Engenharia (1954); Diretoria de Vias e Transportes (1956); e Departamento de Produção e Obras (1957) e Fábrica de Itajubá (1959).
Em 25 Ago 1961, foi promovido a tenente-coronel. Nesse posto, atuou no setor de logística e motomecanização do Comando da 4ª Região Militar, com sede em Juiz de Fora, MG.
Em 25 Out 1966, foi promovido a coronel.
Em 25 Dez 1969, foi transferido para a reserva remunerada no posto de general de divisão.
Faleceu no Rio de Janeiro em 24 Jul 1981.

 

MEDALHAS E CONDECORAÇÕES
Medalha Cruz de Combate de 2ª Classe (FEB)

Medalha de Campanha (FEB)

Medalha de Guerra (FEB)

Medalha Silver Star – Estrela de Prata (EUA)

Medalha da Ordem do Mérito Militar

Medalha Militar de Ouro

Medalha do Pacificador

Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém

 

FONTES
BLAJBERG, Israel. Estrela de David no Cruzeiro do Sul. Resende, RJ: Academia de História Militar Terrestre do Brasil, 2015.
Histórico do Pessoal Militar (folhas de alterações), cedido pelo Arquivo Histórico do Exército.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Moyses_Chahon (acesso em 11 Set 26)

 

CRÉDITOS
Museu Virtual da FEB / Fröhlich, Sirio S.