Tenente Israel Rosenthal
FILIAÇÃO
Rubin Rosenthal e Clara Rosenthal
ANTES DA GUERRA
Nasceu em 7 de fevereiro de 1921, no Rio de Janeiro, DF.
Cursou o ginasial no Colégio Nacional.
Em 1943, formou-se cirurgião-dentista na Faculdade Nacional de Odontologia da Universidade do Brasil
Em 1944, foi declarado aspirante a oficial da Arma de Infantaria no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro (CPOR/RJ).
Em 19 de dezembro de 1944, foi convocado para o serviço ativo, apresentando-se no Centro de Recompletamento de Pessoal (CRP) da FEB.
Em 8 de fevereiro de 1945, embarcou no transporte de tropas americano General Meigs, com destino ao Teatro de Operações da Itália.
DURANTE A GUERRA
A travessia do Atlântico
Israel Rosenthal conseguia se comunicar em iídiche. Assim, foi incumbido de ser o intérprete de um sargento americano que tinha a tarefa de entreter o pessoal a bordo. Entre as distrações estavam lutas de boxe. Quem vencia, ganhava um prêmio (maço de cigarros, chocolates, baralhos etc.); o segundo colocado também ganhava um prêmio; muitas vezes, igual ao do vencedor. “Comigo aconteceu algo interessante! Um cabo, que tinha mais ou menos o dobro do meu tamanho, e tinha acabado de perder uma luta, me desafiou. Brincando, desconversei, dizendo que lutar com um subordinado era contra o regulamento”. Entreter os soldados era considerado uma missão especial, e como tal, lhe dava direito às mesmas três refeições diárias a que faziam jus os militares de serviço. “Eu ia ao refeitório; preparava o farnel e voltava ao camarote, onde dividia com os demais companheiros. No camarote, que tinha uns 16 metros quadrados, havia quatro oficiais da ativa e catorze de CPOR. Um desses companheiros era Celso Furtado, [que viria a ser] grande economista e ministro, com quem mantive amizade ao longo da vida.” (extraído de Vozes da Guerra).
Na Itália, após cumprir as primeiras missões, devido à carência de profissionais dentistas, foi designado para a unidade de odontologia do Depósito de Pessoal da FEB (DP/FEB).
Ritmo de trabalho
“O consultório dentário era bastante precário; o motor dentário era acionado a pedal; a cadeira tinha só uma posição e, para trabalhar, tinha de ser de pé, meio curvado. Não havia água corrente; luvas não existiam, na época; o esterilizador era uma caixa metálica com uma lamparina embaixo”. A rotina diária, por seis meses, foi levantar às 6 horas; das 7 horas ao meio-dia e das 13 às 17 horas, atendia no consultório. A partir das 17 horas, no inverno, escurecia. Por dia, atendia de doze a quinze pacientes. “Apesar de ter ido à guerra para lutar contra o inimigo, não dei um tiro sequer. O único sangue que tive nas mãos foi o dos companheiros de que eu extraía os dentes.” (extraído de Vozes da Guerra)
Sua dedicação e qualidade dos profissionais prestados foram referenciados em Boletim Interno pelo major Virgílio, chefe do Serviço de Saúde do DP/FEB: “… apesar de pertencer ao Quadro das Armas, pelos inestimáveis serviços profissionais prestados, cooperando para o bom êxito e eficiência do Serviço de Saúde, demonstrando conhecimentos amplos e amor a profissão, a par de esmerada educação civil e militar. Disciplinado, possuidor de espírito de camaradagem, muito tem contribuído para o bom andamento do Serviço Odontológico.” (extraído de Estrela de David no Cruzeiro do Sul)
Em 4 de agosto de 1945, por decreto do presidencial, foi promovido ao posto de 2º Tenente da Reserva.
E 28 de agosto de 1945, deslocou-se com a sua Unidade, em caminhão, de Francolise para Nápoles, onde ocorreu o embarque no Navio de Transporte de Tropas Duque de Caxias com destino ao Brasil via Lisboa.
Em 3 de setembro, a tropa do 3º Batalhão de Infantaria desembarcou em Lisboa. Em 4 de setembro, desfilou diante do presidente da República Portuguesa, que condecorou todos os elementos do seu batalhão com a Medalha de Ouro do Valor Militar.
APÓS A GUERRA
No retorno solicitou licenciamento do Exército para retornar a vida civil.
Em 1947, ingressou na Prefeitura do Distrito Federal como dentista lotado no Departamento de Saúde Escolar, onde serviu por 25 anos, até 1972, quando se aposentou. Na Prefeitura serviu nas Escolas Públicas Martins Junior, Getúlio Vargas e General Mitre.
Atuou, também como voluntário na Policlínica da Sociedade Beneficente Israelita, conforme declaração datada de 29 de julho de 1947.
Como dedicado colaborador da Casa da FEB – Associação Nacional dos Veteranos da FEB, ocupou os cargos de diretor de Promoções Sociais por dois anos, diretor do Museu da FEB por cinco anos, membro do Conselho Fiscal por dois anos, presidente do Conselho Fiscal por cinco anos. Integrou o Conselho Deliberativo por mais de 20 anos, e foi seu presidente no biênio 2014-2015.
Faleceu no Rio de Janeiro, em 3 de dezembro de 2021.
MEDALHAS E CONDECORAÇÕES
Medalha de Campanha
Medalha de Guerra
Medalha Marechal Mascarenhas de Moraes
Medalha da Vitória (ANVFEB)
Medalha de Ouro do Valor Militar (Portugal)
Medalha La Croix du Combattant de L’Europe (França)
Medalha Comemorativa dos 60 anos do Término da 2ª Guerra Mundial (Itália)
Medalha da Vitória dos Combatentes Poloneses
Medalha General Plinio Pitaluga
Medalha Marechal Falconière
Medalha Marechal Marques Porto
Medalha Marechal Zenóbio da Costa
Medalha Sangue de Heróis
Medalha Sesquicentenário da Retomada de Uruguaiana
Medalha Tenente Max WolfF Filho
Diploma de Colaborador Emérito do Exército Brasileiro
Diploma de Amigo do Comando Militar do Planalto
Diploma de Bons Serviços assinado pelo Governador do Estado da Guanabara
Membro Honorário do IV Corpo de Exército (EUA)
Membro Efetivo do I Congresso Brasileiro de Medicina Militar – São Paulo, 1954.
FONTES:
BLAJBERG, Israel. Estrela de David no Cruzeiro do Sul. Resende, RJ: Academia de História Militar Terrestre do Brasil, 2015.
FRÖHLICH, Sirio Sebastião. Vozes da Guerra. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 2015.
ROSENTHAL, Israel. Tenente Rosenthal : Vovô Israel. Rio de Janeiro: Academia de História Militar Terrestre do Brasil. 2021.
CRÉDITOS
Museu Virtual da FEB / Fröhlich, Sirio S.
