Biografia
Nome completo
JOÃO FERREIRA DA SILVA
Inicial
Biografia
Filiação: Vicente Ferreira da Silva e Josefina Dias da Silva
Ano de nascimento: 1921
OM: 1º Regimento Infantaria
Faleceu em ação no dia 29 de novembro de 1944, em Monte Castelo.
Foi sepultado no Cemitério Militar Brasileiro de Pistoia, na quadra В, fileira nº 2, sepultura nº 19, marca: lenho provisório.
No decreto que lhe concedeu a medalha Cruz de Combate de 1ª Classe, lê-se: "No dia 12-XII-944, durante o ataque ao Monte Castelo, o inimigo ocupava posições dominantes, de frente e de flanco. Nossa tropa avançava com grande dificuldade, sob pesado bombardeio e fogos ajustados de metralhadoras, até que foi detida e finalmente forçada a voltar à base de partida. Um homem, entretanto, progrediu infatigavelmente e sem temor só sendo detido quando caiu morto, já quase no topo do Monte: o soldado João Ferreira da Silva. Dado como desaparecido, seu cadáver só foi encontrado depois do ataque vitorioso de 21-II-945, verificando-se então o quanto de bravura e espírito agressivo havia naquele Soldado Brasileiro".
Fontes: Boletim Especial do Exército de 2 de dezembro de 1946 (acervo ANVFEB-DF) e "Ficha de Baixas" (acervo MNMSGM).
“O CONQUISTADOR SOLITÁRIO
O valor do maciço Belvedere-Castelo residia, é sabido, de imediato em espiar para dentro de nossas linhas, num raio de 10 milhas. Todos os nossos movimentos de retaguarda, apesar das caprichosas dobras em que o terreno se vai adoçando, do maciço nos vales do Sênio e do Reno, eram difíceis de disfarçar. E o inimigo nos canhoneava, comodamente, do alto de suas posições dominantes, o recurso da neblina artificial, envolvente, irritante, a nos roubar o sol e impotente para evitar o sigilo do tráfego: urgia tomá-lo a qualquer preço.
Contra nós tramavam, porém mais que a vigilância do boche, a neve e o frio, entorpecentes, desconhecidos de nós outros, filhos dos trópicos – 18 graus abaixo de zero, marcara tantas vezes o termômetro ao relento das gélidas madrugadas dos Apeninos...
Acabamos, todavia: o soldado tem que ser superior ao tempo, diante de resultados compensadores. Várias tentativas se frustraram antes que obtivéssemos a espetacular vitória de fins de fevereiro. Frustradas, sim, mas repassadas de atos heroicos dos soldados do Brasil!
O mais emocionante deles foi, sem dúvida, o que resultou do ardor ofensivo do Soldado João F. Silva, que só o êxito assinalado permitiu conhecer: seu cadáver foi encontrado, semiconservado pela neve, em atitude agressiva, fuzil em riste, no platô do Castelo, já dentro do que fora, antes, uma linha r interna do reduto alemão. No ardor da refrega, João Silva não se dera conta que seus camaradas haviam já pago com a vida a audácia do temerário ataque: avançava sempre, só, resoluto, intimorato, em meio aos rasga trapos e das lurdinhas e ao ensurdecedor ribombar dos morteiros, encostas acima – nada o acovardou, sequer pensou em si. Levava no recesso do peito ofegante um coração brasileiro e diante dos olhos aguerridos, numa alegoria do dever, a imagem da Pátria distante, que buscava desagravar frente ao boche fanático e em terras estranhas. Certo, tinha a consciência da morte. Sabia que não voltava. Tampouco, que poderia vencer. “Sei que morro” terá pensado, pressentindo seus últimos instantes de vida, “mas ainda que cadáver, meu corpo balizará, no topo do Castelo, o rumo da vitória aos companheiros que vierem depois». E tombou como um conquistador, solitário embora, linhas inimigas a dentro!
Mas tão logo a primavera repontou nos Apeninos, racalcando a neve e atenuando o frio, seguindo as pegadas já quase ilegíveis de João Silva, seus companheiros foram buscar seu corpo e o “monte tabu” tombava às mãos dos briosos infantes do Regimento Sampaio!
João Silva! Foste vingado! E teu exemplo ficará para sempre, como um símbolo: o do infante brasileiro que seguro ao seu fuzil, só vai a batalha para vencer ou morrer!
Possas tu ouvir, do recesso dos céus, Soldado João F. Silva, a menagem que te prestam o teu comandante e os teus camaradas do Sampaio, e que tua bravura nos inspire, a todos nós, no rumo da vitória contra o tirano alemão!”.
Texto do major Nelson Rodrigues de Carvalho, integrante do 1º Regimento de Infantaria.
Fonte: Jornal O Cruzeiro do Sul, edição nº 31, de 26 de abril de 1945, publicado pelo Serviço Especial da FEB, na Itália.
Dados básicos
Dados militares
Número de identidade
1G-298770
Posto ou graduação
Sd
OM de embarque
1º RI
Data de embarque
22 de setembro de 1944
Notas de referência
Código de diferenciação
21386
Biografia completa
NÃO
Com fotografia
NÃO
Observações
Atualizado em 16/05/2026 – SSF.
